Tema transversal
Meio Ambiente e sua abordagem no cotidiano escolar
Introdução
A reorientação
curricular estabelecida pelo MEC através dos Parâmetros Curriculares Nacionais
– PCN tem como principal objetivo inserir no cotidiano escolar e assim na
formação dos novos cidadãos certos conceitos de estrema importância para seu
convívio em sociedade, para que esses cidadãos em formação possam futuramente
exercer sua cidadania de forma justa, e espera-se que dessa forma princípios
éticos e morais de uma sociedade justa e igualitária possam fazer parte da
realidade da população.
Esses conceitos
as serem trabalhados nas escolas são adotados como temas transversais, ou seja,
não devem ser abordados como disciplinas isoladas, mais sim como parte integral
de todos os conteúdos curriculares de forma dinâmica e contínua. Sendo que os
eixos principais são: meio
ambiente, saúde, ética, pluralidade cultural,
orientação sexual, temas locais, trabalho e consumo.
Nos últimos anos um desses temas que ganhou e tem ganhado
bastante destaque no cenário não só nacional, mas mundial também, é a questão
ambiental. Porém, a forma com que essa temática deve ser trabalhada ainda não é
muito consistente e precisa. Por esse motivo, faz-se uso da Educação Ambiental,
que vem como ferramenta para a construção de uma consciência ecológica.
A transversalida proposta pelo PCN na abordagem da questão
ambiental é um ponto chave para a formação e transformação do senso crítico e
cidadania da população, uma vez que os assuntos inerentes ao meio ambiente não
ficam restritos aos educadores de ciências naturais e biologia, mas a todos os
educadores, sendo que essa temática é facilmente inserida dentro de diferentes
conteúdos, e assim, possa ser trabalhada de forma mais abrangente, dinâmica e
eficaz.
Apresentação comentada de experiências
Apesar da pouca experiência profissional como educador, nunca
me mantive distante do ambiente escolar, e pude acompanhar ao longo da minha formação
acadêmica os diferentes tipos de abordagens que são feitas em relação às
questões ambientais. A grande maioria desses trabalhos se dá na forma de
projetos pedagógicos desenvolvidos por poucos professores e tem prazos
pré-estabelecidos para o projeto acontecer, depois de finalizado o tempo do
projeto, eles são arquivados e deixam de ter continuidade mesmo que o objetivo
tenha sido alcançado e de uma forma ou de outra os alunos tenham sido
conscientizados a respeito do assunto tratado, só poderão executar aquilo que
lhes foi proposto fora da escola, o que não deixa de ser um ponto positivo, mas
fica uma brecha, pois onde o tema foi desenvolvido ele deixou de ser
trabalhado.
A grande maioria dos projetos desenvolvidos parte da
iniciativa de poucos educadores e conta com a participação de pouquíssimos
colegas de trabalho, pois esses atribuem sua pouca participação à falta de
tempo, pois a sobrecarga de obrigações a serem cumpridas em espaços tão curtos
de tempo não lhes permite se envolverem em projetos e atividades senão aqueles
trabalhados por eles mesmos em seus respectivos conteúdos, o que não deixa de
ser verdade.
Além da falta de tempo para se envolverem em projetos de Educação
Ambiental, muitos professores reclamam da falta de formação complementar, assim
como material didático específico, pois o próprio livro didático faz
pouquíssimas referências a essa questão e não menos importante do que todos
esses fatores é a baixa remuneração que desestimula os educadores a executarem
qualquer coisa que exceda suas obrigações.
Recentemente um trabalho multidisciplinar tem ganhado espaço
na escola onde leciono, o Projeto Espaço tem como objetivo a conservação do
patrimônio escolar bem como de seu entorno, ele tem uma abordagem ética e
ambiental muito interessante, pois faz toda a comunidade escolar trabalhar em
conjunto para reverter o quadro de degradação que se encontra nossa escola e
que apesar do sistema sucatear a educação, podemos fazer diferente e mostrar o
quanto estão errados a respeito disso. O papel social do projeto está associado
ao trabalho conjunto da comunidade escolar e preservar e recuperar o patrimônio
escolar, garantindo o direito dos alunos de usufruírem de uma escola de
qualidade. Já a abordagem ambiental nos remete ao direito de todos conviverem
em um ambiente saudável, e esse ponto tem feito crescer um grande interesse dos
alunos, pois como eles mesmos relataram a mim em uma aula recentemente, “Por que
temos que estudar em uma escola suja e maltratada, se ela pode ser totalmente
diferente? Se ela ficou assim, foi por ignorância nossa, mas agora conscientes
do nosso papel podemos mudar isso”.
Discussões como essa têm sido cada vez mais comuns na rotina
da escola, não se observa mais lixo jogado nas salas e corredores e até mesmo
no jardim que fica no entorno da escola, que era um dos locais onde era mais
visível a falta de cuidado dos alunos, desperdício de água e comida durante o
intervalo também diminuíram bastante.
O mais interessante do projeto, foi que apesar de muitos
educadores não terem se mostrado interessados no início, quando perceberam os
resultados positivos gerados logo nos primeiros meses, passaram a aderir e a
incentivar práticas sustentáveis dentro de seus conteúdos, o que evidenciou a transversalidade
do tema.
Um ponto muito interessante a respeito do projeto, é que ele
seja contínuo e passe a fazer parte do cotidiano escolar, nessa e nas gestões
seguintes, o que foi aceito e elogiado pelos professores nas reuniões. Além
disso, como a escola é a única da rede estadual no município, a proximidade com
a rede municipal é muito grande e possivelmente isso faz com que trabalhos
exitosos como esse possam ser estendidos também para a rede municipal, e dessa
forma a Educação Ambiental possa cada vez mais estar presentes no cotidiano e
na formação de nossos alunos.
Conclusão
A Educação Ambiental no Brasil ainda caminha a passos lentos,
fato esse facilmente explicável diante dos diferentes entraves encontrados para
a inserção dessa temática dentro dos currículos escolares, mesmo apoiado pela
legislação através da Lei 9.795/99 e do PCN, ainda é tímida a expressão da EA.
Isso se dá principalmente pela falta de formação adequada dos educadores acerca
do assunto e de como inseri-lo dentro de diferentes conteúdos, além do
desestímulo que atribuem à baixa remuneração, e não menos importante, como
fazerem para prosseguirem com trabalhos de EA de forma continuada.
Apesar de todos esses entraves, muitos trabalhos tem mostrado
a importância da EA e como ela é primordial para a formação de cidadãos
conscientes de seu papel e responsabilidade no meio ambiente, Porém uma coisa
deve ficar bem clara, uma batalha nunca é ganha por um único guerreiro, e com a
EA não é diferente, não basta somente à escola de modo geral trabalhar a
questão ambiental, ela deve ser abordada por todos os seguimentos da sociedade,
para que os resultados esperados sejam alcançados e o quadro em que o nosso
planeta se encontra possa ser mudado para melhor, com o resgate da
biodiversidade em todos os seus ângulos.
Referencias
Educação Ambiental:
Curso Básico a Distância / Educação e Educação Ambiental II. Ministério do Meio Ambiente; Diretoria de Educação
Ambiental. Brasília. 2011.
FRADE, Elaine das Graças; POZZA, Adélia Aziz Alexandre;
BORÉM, Rosângela Alves Tristão. Educação
Ambiental na Diversidade. Lavras. Universidade Federal de Lavras – UFLA,
Centro de Apoio à Educação a Distância – CEAD, 2010. 83p.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Meio Ambiente. HTTP:// portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf <acesso 06/11/2013>